• Português
  • Español
  • English
  • Alemao
  • Francês

CONTATO

Lagoa da Conceição 24 horas

« Voltar para Grande Florianópolis

Enviado por Chuchi Silva em 00/00/0000

Quem perdeu o bonde do tigrão ou voltou a pé de Woodstock sabe onde mora a mãe Joana e que a casa da sogra pode ser o melhor lugar do mundo. Dread locks, liso-chapinha, caracóis, carapinha, todos ao ritmo do vento que sopra na Lagoa da Conceição. Visitá-la é um programa para todos os dias. De segunda a domingo, dia e noite e em todo canto, é como encontrar a moça faceira, pé no chão, saia de renda e braços abertos capazes de abraçar pátis, manos, indies, emos, surfistas, rastas e tios.

Lancha, harley, bike, shape, surfe. Um gole de saúde no Jungle, ventre de cobra e narguilé no Zahara, pastel de cachaça e pizza na pedra. Tarde de croissant e café com bobagem. De boné e óculos na cabeça, o pitboy manobra o carrão em frente ao Rocambole conferindo a assistência. Elas cochicham e riem, preferindo azarar o haole que virou camarão tentando pegar onda na Joaquina. Café com cultura, acarajé no fim da rua, happy hour e som Brasil no Jinga Bar, bonitas no deck do Sintonia, junkies na madrugada do Bom Motivo. À tarde tem futebol e torcida no Querubim, a noite é nervosa com hip-hop no Café do Sol.

A Lagoa da Conceição é o centro geográfico da Ilha de Santa Catarina. Todas as rodovias que interligam as demais regiões convergem na lagoa e arredores. Do Centro vem a SC-404, e do Sul e do Norte, a SC-406. Além disso, o seu formato é praticamente igual à da cadeia de montanhas que faz a divisão natural das regiões Norte e Leste da região insular de Florianópolis. Bairro disputado para a construção de condomínios exclusivos e casas luxuosas, a Lagoa é também o point dos alternativos, das pessoas ligadas à natureza e dos chamados “bichos grilos”. É dividida em Costa da Lagoa e Canto da Lagoa, além de ter um “centrinho” bastante agitado.   

Pluralidade e tolerância são características da Lagoa
Os moradores da Lagoa da Conceição curtem os fins de semana com pinta de visita. Mas se orgulham da intimidade que criam com os donos dos botecos, de saber o nome das garçonetes modernetes e indicar onde começa a noite – quase sempre no Drakkar, com bandas famosinhas e outras alternativas. E os turistas que se aventuram a descobrir o tesouro no fim do morro encontram uma Lagoa única, original, ímpar, cosmopolita e miscigenada. Encantam a diversidade de estilos, a gama matizada de tribos, a harmonia dos paradoxos que une o clássico e a vanguarda, magnatas e operários sob o mesmo céu, como se o mundo começasse e terminasse entre a Afonso Delambert e a Avenida das Rendeiras.

Em dia de sol, a Lagoa da Conceição, vista do alto, surge recortada em azul, emoldurada pela claridade das dunas da Joaquina, cercada pelo verde da Mata Atlântica e pontilhada por pequenas construções. Suas águas sem ondas e de baixa profundidade têm temperatura média de 27ºC no verão, mas nem sempre são próprias para o banho. O regime de ventos e a ausência de ondas proporcionam a prática de windsurf, vela, caiaque, kitesurf e jet ski. Dos morros em volta, saem parapentes e asas-deltas colorindo o céu. No fim da Avenida das Rendeiras, alugam-se pedalinhos e caiaques. À noite, a Lagoa veste-se com as luzes que formam imenso colar de cristais coloridos. Ao vencer as curvas das estradas no morro que lhe dá acesso, o visitante vê-se diante de um caminho cheio de possibilidades.

Noite é agitada para todos os gostos e bolsos
De segunda a sexta-feira, almoço em um dos quilos. Aos sábados, coquille no Chef Fedoca, lagosta no Barracuda ou feijoada na Cida Baiana. Domingo é dia de almoço num dos restaurantes na Fortaleza da Barra, à beira do Canal. De biquíni e chinelinho, de bermuda e sapatênis, belas e belos ocupam todas as mesas em restaurantes, cafés e lanchonetes na Barra da Lagoa, na Avenida das Rendeiras, no centrinho, no Canto da Lagoa, na Costa... A partir das 10h, artesãos disputam o metro quadrado na Praça Bento Silvério para vender bijuterias de cobre e alpaca, maricas de resina, móveis para jardim e roupinhas para botijão de gás.

Depois da praia, já vestidos para matar, jantar num japonês ou provar iguarias da Indonésia no Canto da Lagoa prepara o espírito para a balada que se desenha em muitos ritmos e produções. Quem tem mais de 30 anos e segura um papo por mais de 30 minutos encontra alguém no John Bull ou na Confraria das Artes. Depois da meia-noite, bom é circular. Curtir sambão e música latina num dos botecos do Boulevard da Lagoa, beber um chablis no Sunsibar, sentar num dos bancos da Marina da Ponta da Areia bem-acompanhado, tomando uma cerveja no bico... a Lagoa é assim, democrática até o último dos independentes, promissora até que surja o primeiro raio de sol. E nunca descansa.