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CONTATO

Os lagos das montanhas catarinenses

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Enviado por Werner Zotz em 26/06/2000


Texto original: Werner Zotz
Adaptação: Letícia de Assis

Encravada entre os contrafortes do Vale do Itajaí e o Planalto Norte Catarinense, esta região encanta os visitantes não apenas pelos lagos, mas por todo um clima mágico de montanha

    Santa Catarina tem serras e tem montanhas, que não devem ser confundidas, apesar de diversos aspectos comuns. A serra catarinense é uma vasta extensão de grandes planuras que vai da divisa com o Paraná até a fronteira com o Rio Grande do Sul.
    Já as montanhas catarinenses são formadas pelos contrafortes da Serra do Mar, no Planalto Norte. Vales profundos e grandes acidentes geográficos rodeiam toda esta região. No alto das montanhas ficam Campo Alegre, São Bento, Rio Negrinho e Alto Rio dos Cedros. Nos vales – a leste e ao sul das montanhas – estão Pirabeirada (Joinville), Corupá, Jaraguá do Sul, Rio dos Cedros (a sede do município), Timbó e Blumenau.

A região dos lagos

    Os lagos catarinenses ficam nesta região montanhosa do município de Rio dos Cedros, na localidade de Alto do Rio dos Cedros. Na década de 50, a Celesc construiu duas barragens para gerar energia. A topografia e a natureza, com seus extensos e profundos vales encravados entre montanhas, encarregaram-se de completar o cenário, formado pelos lagos Rio Bonito, Pinhal e Volta Grande.
    O primeiro também é conhecido como Lago Palmeira, fica a 600 metros de altitude e é o maior em volume de água. Já o Lago Pinhal é o de menor volume, mas o maior em extensão - cerca de 14 km -, e fica a quase 800 metros de altitude. E finalmente o Lago Volta Grande, localizado no município de Rio Negrinho, é igualmente belo, mas oferece pouca infra-estrutura turística.

Caminho das hortências

    O município de Rio dos Cedros tem pouco mais de 9 mil habitantes, com altitudes que variam de 75 a 1.020 metros. Os caminhos que levam às montanhas ligam e ao mesmo tempo separam mundo distintos. Nos vales as temperaturas são elevadas e a vegetação é subtropical. No alto das montanhas a paisagem é dominada por capões de pinheiros e pastos, com clima ameno no verão e frio intenso no inverno.
    O carro vencia com facilidade a subida íngreme e as curvas fechadas da estrada de terra. Sombras longas da tarde de outono riscavam o fundo dos vales. Ao longo da estrada, hortências, muitas hortências. De novembro a fevereiro, elas formam um espetáculo à parte; agora a maior parte já tinha perdido as cores do verão.
    Na encruzilhada, duas placas. Uma indicando o Lago Pinhal e o Parador da Montanha, nosso destino. Outra, em sentido oposto, marcava o rumo do Lago Rio Bonito e da Península Palmeira.

Península Palmeira

    O Lago Rio Bonito surpreende pelo volume e pela cor azul das águas. Nas proximidades da Península Palmeira, a estrada está calçada de paralelepípedos. Casas bonitas, bem cuidadas, revelam a existência de uma infra-estrutura turística em franco desenvolvimento.
    A Península das Palmeiras é local de visita obrigatória. Além de bonita, é também empreendimento turístico exemplar, a começar pela sinalização. Canteiros de flores margeiam caminhos ou enfeitam barcos aposentados. A grama está aparada, a limpeza é impecável, os locais para estacionamento de carros, ônibus e trailers estão demarcados. Há quadras esportivas e bancos para fazer nada, sonhar e maravilhar-se com a natureza.
    A área do camping é toda arborizada, com churrasqueiras, banheiros e chuveiros. Há alguns chalés que podem ser alugados por final de semana.

Os muitos e bons programas

    Contemplar a natureza e a vida – este é o melhor programa. Há passarinhos, muitos, todos bonito, a maioria barulhentos: gralhas, pica-paus, pintas-silgos, canários da terra, chopins do banhado, tirivas, papagaios, inhambus... Um pouco de paciência e silêncio, no deslizar manso da canoa pelas barrancas, pode revelar bichos pouco vistos: capivaras, talvez um veado, quem sabe uma onça...
    Curtir o Parador da Montanha, ler, conversar, deixar-se ficar preguiçosamente em frente à lareira. Comer pinhão frito na chapa do fogão. Esperar pelo pôr-do-sol. Esperar pelas estrelas. Esperar pela lua. Cheirar a terra molhada pela chuva, ouvir o tempo, ver a água ecorrendo pelos vidros.
    Caminhar pelos pastos e pela estrada, andar a cavalo, pedalar de bicicleta. Navegar pelos lagos, preferencialmente de barco a remo, sem pressa e sem destino (em novembro há um festival de náutico). Pescar de linha; nos lagos há traíras, carpas, jundiás, tilápias e lambaris. Descobri as cachoeiras; algumas delas só são acessíveis de barco.
    Passar pela Feirinha de Artesanato e Produtos Coloniais do Pinhal, tocada pelas mulheres locais, numa antiga escola sem uso. Além da prosa, levar na volta para casa pão fresco, cuca e queijo colonial.

Cenário da Região dos Lagos Catarinenses
Rio dos Cedros