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Onde o Brasil fala alemão

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Enviado por Rogério Monteiro em 02/04/1999

Texto original: Rogério Monteiro
Adaptação: Letícia de Assis

No Vale do Itajaí, Pomerode exibe com orgulho o seu respeito às tradições e sua excepcional qualidade de vida.

    Aos poucos a tensão da rodovia federal vai ficando para trás. A estradinha quase deserta desliza sinuosa pelo vale adornado pela Mata Atlântica, desvendando recantos que remetem ao Velho Mundo... e ao passado. Casas coloniais cercadas de flores surpreendem à cada curva, cenários de gente loira, igrejinhas pontudas e bicicletas. Houvesse uma torta de mça esfriando na janela, uma vovozinha de lenço no cabelo e teríamos a certeza de estar vivendo um conto de Grimm e não chegando a Pomerode, a cidade mais alemã do Brasil.
    Situada a 33 km de Blumenau, a pequena Pomerode agrada e enternece o visitante pela arraigada cultura germânica que preserva, pela qualidade de vida que alcançou e pela beleza natural que Deus lhe deu. Passear pela cidade é respirar a tranquilidade do interior da Alemanha, é admirar-se com a civilidade da população e o exótico da arquitetura enxaimel – curioso sistema de construção que intercala tijolos e grossas vigas de madeira. São mais de 300 construções neste estilo na cidade, o maior acervo do tipo no Brasil.
    Ficar mais alguns dias é descobrir por trás desta fachada bucólica um povo trabalhador e progressista, que garante para Pomerode um dos menos índices de analfabetismo e uma das rendas per capita mais altas do país.

A Alemanha é aqui

    Em Pomerode quase todo mundo fala alemão. O idioma, e mesmo antigos dialetos como o pratt, herdado dos primeiros imigrantes, são usados para discutir o preço das verduras na venda, falar de futebol na pracinha do fórum e sussurrar juras de amor nos bailes dos Clubes de Caça e Tiro. Com a mesma tenacidade com que preservam sua linguagem, os pomeranos reverenciam a cultura de seus antepassados na arquitetura,na culinária, nos hábitos diários. Em Pomerode, descobre-se que, apesar de todas as dificuldades da vida moderna, ainda é possível construir-se um lugar onde viver seja um prazer.
    As ruas muito limpas ostentam construções em estilo europeu, varandas decoradas e jardins bem cuidados. Nos restaurantes, comem-se pratos típicos como o marreco recheado, Kassler ou Einsbein – joelho de porco, tortas de maçã e muita cerveja. A cidade é reconhecida como principal pólo gastronômico da região.
    Com pouco mais de 20 mil habitantes, divididos entre o centro urbano e as pequenas propriedades rurais ao longo do vale do Rio do Testo, a cidade possui atrações turísticas imperdíveis. Entre elas, um jardim zoológico com mais de 600 animais e o Museu Erwin Teichmann, onde estão expostas as obras de um escultor tão genial como pouco conhecido. Destaque ainda para os locais que reverenciam o passado colonial da cidade, como o Museu Pomerano, a Casa do Imigrante e o Recanto Mundo Antigo.
    Vale a pena conhecer também a Cascata Cristalina (de outubro a março) e os morros Azul e da Turquia, ambos pontos culminantes da região, com linda vista para a cidade, além de pistas de decolagem para parapente e asa-delta.

Festa Pomerana

    A tradicional Festa Pomerana acontece todo mês de janeiro, em comemoração à criação do município que pertenceu a Blumenau até 1959.
    O evento reúne toda a população e visitantes numa confraternização de vários dias, onde não faltam desfiles, bandinhas típicas, concursos exóticos como o do Chope em Metro ou Schneidermuller (Serrador de Lenha), e muito marreco recheado, cerveja e alegria. Rainhas são escolhidas, os bailes são animados e barraquinhas vendem o simpático artesanato local, geléias e outros quitutes coloniais.
    Nos fins de semana normais, são os 16 Clubes de Caça e Tiro da região que preservam as tradições e os costumes dos imigrantes alemães, com as festas de Rei e Rainha do Tiro. Ali são disputadas alegres competições de tiro ao alvo e de bolão, um jogo semelhante ao boliche. O som das polcas, mazurcas e valsas enche os ares, enquanto algum dos grupos folclóricos da região faz aprensentações de danças típicas.