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CONTATO

Emoção nas corredeiras

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Enviado por Jakzam Kaiser em 12/12/1996

Texto original: Jakzam Kaiser
Adaptação: Letícia de Assis

A adrenalina corre nas veias enquanto lutamos para permanecer no bote inflável. O rio borbulha como água fervendo. As emoções do rafting são radicais.

    Estamos no meio do rio, ainda calmo. Adiante, surgem pedras e as águas começam a ser agitar, prenúncio das corredeiras. O coração bate mais forte. Os remos acompanham o ritmo e fustigam a correnteza. O instrutor comanda ordens, aos gritos: “direita, esquerda, frente, réeee...” Os aventureiros de fim de semana se entreolham com expectativa e receio, buscam apoio e confiança. O barco começa a chacoalhar, fica de lado, avança de popa, todos de costas, volta a ficar com a proa à frente. A gritaria é abafada pelo barulho das águas. O susto com o borbulhar do rio, igual água fervendo, a força com os remos e a atenção para não cair do barco esticam músculos, nervos, pele. Tensão e adrenalina correm pelas veias com a mesma velocidade que as águas no leito do Itajaí-Açu.
    De repente as águas acalmam. Todos sorriem e se recompoem aliviados. O instrutor quer saber se estamos bem. Um dos participantes faz uma gracinha, pergunta quantos já morreram afogados no rio. O instrutor, tranquilo, fiz que nunca houve acidentes fatais, mas barcos já viraram e volta e meia alguém é cuspido na água ou perde os remos.
    O próximo trecho agitado do rio chama-se “caldeirão”. A correnteza nos joga dentro de uma piscina natural, cercada por pedras, nas quais as águas batem. O barco gira 180° e descemos entre as pedras de costas. Não vemos o caminho, só sentimos o impacto, o barco parece dobrar, é preciso tensionar todo o corpo para não ser jogado na água. Um dos aventureiros é expelido no meio do redemoinho. O intrutor grita e pede força nos remos para chegarmos perto dele. A cabeça com o capacete colorido surge das águas, mas desaparece dentro do turbilhão. Nossa respiração está suspensa, mas remamos furiosamente em meio à gritaria. O capacete aparece novamente, nosso companheiro consegue manter a cabeça fora da água, agita os braços e bóia com o colete salva-vidas. Aos poucos conseguimos nos aproximar e puxamos o companheiro para dentro do barco. Passaram-se poucos segundos, mas para o rapaz e para a tripulação pareceu uma eternidade. Agora é pegar o remo perdido e sumir rápido dali; o barco seguinte pode sair pela mesma queda d'água e nos atropelar.
    Ufa! O rapaz que caiu na água está pálido e quieto. A turma é animada, brinca com ele, aos poucos o rosto recupera a cor e a voz volta, ainda embargada. O guia explica que a correnteza, no primeiro momento, empurra para baixo e depois devolve o corpo à superfície. A terceira corredeira se aproxima, estamos a postos, ansiosos, felizes. Já somos veteranos, agora...

Passeio seguro

    Apesar dos tombos e dos barcos virados, o rafting é um passeio seguro e prazeiroso. É o único esporte radical que você pode praticar sem ter qualquer aprendizado anterior – nos outros, como vôo livre, pára-quedismo, etc, o participante precisa frequentar um curso específico. No rafting não. As únicas pré-condições são saber nadar e ter mais de 12 anos. As noções básicas são ministradas na hora de entrar no rio, pelo guia do barco, que vai na popa orientando os movimentos da tripulação e a direção do percurso. As explicações são simples, objetivas e suficientes.

Brincadeiras

    Depois da terceira corredeira, todos sentem-se veteranos. Mesmo quando o grau de dificuldade aumenta, já não há apreensão, só prazer. A partir de então, goza-se o passeio. Há duas paradas. A primeira é uma pequena enseada onde todos se jogam na água, vão até as margens, sobem uma pequena trilha até o cume de uma pedra, uns quatro metros acima no nível da água. E se atiram lá de cima, no início, receosos, de pé. No segundo pulo, mais confiantes, mergulham de cabeça. No final, alguns ensaiam acrobacias. A segunda parada é uma cachoeira comprida e com pouca água, que forma uma piscina na base, boa para um mergulho. A água gelada é deliciosa.
    Entre uma e outra corredeira, o barco desliza por águas calmas. O rio serpenteia no meio de montanhas cobertas de mata nativa. A visão deslumbra. Há poucos lugares no Brasil tão bonitos e tão bons quanto Ibirama para a prática do rafting. Agora é fazer o percurso radical para sentir as mesmas emoções.